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Portaria Virtual

Publicado em 31 de Agosto de 2019 às 09:07 AM

Portaria virtual é bom negócio, mas e a segurança? Fazer economia quando o assunto é segurança, na maioria das vezes, não é uma boa opção!

Uma preocupação de muitas famílias nos dias atuais, em meio à crise econômica que estamos vivendo, é o custo das taxas em condomínios verticais, em especial dos prédios menores, onde a distribuição das despesas ficam ainda mais pesadas para os usuários. Uma das novas tendências de mercado é a Portaria Virtual, que sabemos que tem claramente como foco e objetivo reduzir os custos com a mão de obra da segurança.

Convido-os a uma reflexão sobre o tema. Para tanto, algumas perguntas devem ser respondidas: se você vai reduzir os custos com a segurança e, consequentemente, o nível de segurança e conforto, então por que morar em um prédio e não em uma casa mais espaçosa e com um valor mais acessível, colocando alguns equipamentos e sistemas de segurança eficientes?

Provavelmente, o custo será mais interessante. Imagine que você esteja chegando à noite no seu condomínio e percebe que tem alguém seguindo você. Ao acionar a abertura do portão, uma pequena pedra dentro do trilho faz com que ele trave. O que você faria nesse caso? Óbvio que a maioria das empresas sérias nesse ramo tem em seu contrato um tempo de resposta para esse tipo de atendimento de manutenção, mas não creio que esse tempo satisfaça em especial uma situação como essa. Quando se fala em portaria virtual, obviamente tem que se ter em mente que algumas adequações deverão ocorrer. E isso inclui, por exemplo, mudança no tipo de fechaduras dos portões, controle de acesso, gerador e nobreaks, iluminação adequada, além de outros itens. Tudo para que a solução para o condomínio esteja dentro de um padrão de qualidade e eficiência. Nesse caso, é fundamental calcular quanto tempo vai levar para recuperar o material investido, nunca se esquecendo de que, se porventura a experiência não for satisfatória, toda essa mudança e valor investido serão jogados fora.

Já atendemos um episódio onde um homem chega tranquilamente no portão de um prédio com vigilância virtual, coloca o dedo na biometria, faz uma carinha de que o equipamento não estava funcionando, pega uma micha (simulando ser uma chave), abre o portão e segundo consta, o operador do monitoramento entendeu que aquilo era uma chave e que o homem era um morador... simples assim… O suspeito entrou e realizou o assalto. Reforçamos a ideia de que fazer economia quando o assunto é segurança, na maioria das vezes, não é uma boa opção. Obviamente que nossa intenção não é condenar a portaria virtual. Entendemos que ela não pode ser descartada como uma solução, em especial para condomínios pequenos, mas para que isso atinja resultados mais assertivos e traga uma melhor segurança, um bom estudo de sua viabilização é fundamental.

Diário das Leis, 1ª quinzena - Setembro 2019 – nº 17

Adalberto Santos* O autor é Especialista em segurança e Diretor-Superintendente da Sigmacon em Campinas, SP. É consultor, palestrante, analista em segurança empresarial e criminal. Possui pós-graduação de processos empresariais em qualidade, MBA em administração e diversos títulos internacionais na área de segurança

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