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Coronavírus muda a atividade de Corretagem de Imóveis

Publicado em 01 de Maio de 2020 às 12:33 PM

Não é de hoje que a transformação digital alcançou o mercado imobiliário. Há muito tempo que os pagamentos e transferências de aluguéis são realizados sem sequer ver a cor do dinheiro, ou de um cheque. Mas para muito além disso, empresas quase totalmente virtuais ganham mercado, serviços na internet fornecem um conjunto de informações preciosas. Buscas avançadas de dados de proprietários facilitam o trabalho de captação e uma série de ferramentas e recursos são criados constantemente. As fotos começaram a dar espaço para que vídeos auxiliassem na divulgação de um imóvel. A demonstração virtualizada de um imóvel começou a ser uma realidade. Imagens 3D, vídeos em realidade virtual, mobília digitalmente inserida em realidade expandida, videoconferências com clientes e formulários eletrônicos.

Com tanta virtualização, era de se esperar que as pessoas passassem a realizar parte das suas atividades de qualquer lugar. Contudo, são muitas as pessoas que ainda não haviam aderido a essas tecnologias. A barreira cultural é sempre um grande obstáculo. E continua o império do “sempre tive sucesso fazendo do meu jeito”. Mas o mundo gira, as expectativas dos clientes mudam, as ferramentas ficam obsoletas e as novas tecnologias vão assumindo o lugar. Se as videolocadoras já deixaram de existir, o que dizer das máquinas de escrever?

Infelizmente, nem todas as pessoas se preparam para essas transformações. Muitos nem sequer a desejam. Mas, recentemente, o destino pregou uma peça: Coronavírus. Após seu surgimento, a pandemia era uma questão de tempo. Pouco tempo. Era preciso diminuir a velocidade de contágio para que os hospitais pudessem ter condições de responder à demanda. A decisão era tensa, controversa e muito perigosa para a economia mundial. Os casos fatais estavam aumentando e algo deveria ser feito para impedir o contágio. Lavar as mãos e usar máscaras não estavam sendo suficientes. O contato humano deveria ser eliminado. A solução foi o isolamento domiciliar.

Com exceção exclusiva para serviços essenciais à sobrevivência, todos foram obrigados a permanecer em casa. Mais de 40 países nessa mesma condição. Por outro lado, o mundo não poderia parar e muitas empresas se viram forçadas, impelidas e obrigadas a adotar o sistema de teletrabalho, em que seus funcionários desenvolveriam suas atividades em home office (a partir de suas casas). Surge, imperativamente, o contexto de realização do trabalho à distância, de virtualização de algumas funções, de distribuição da informação por meios de comunicação e de ausência de atividades presenciais. Ora, se este ou aquele trabalho pode ser feito à distância, sem os custos com aluguéis de conjuntos comerciais, mobiliários, transporte entre outros pequenos gastos, então, por que manter esses gastos? A resposta a essa questão já pode ser notada. Empresas já estão cancelando contratos de locação de conjuntos comerciais, já estão desativando postos presenciais de trabalho e estão passando definitivamente alguns cargos para a modalidade de teletrabalho (home office).

Com isso, teremos, cada vez mais oferta de imóveis comerciais e cada vez menos demanda. É muito provável que tenhamos prejuízos nesse segmento. Sinceramente, espero que eu esteja errado. Outra análise que começa a surgir reside na sobrevivência da função profissional. Cada vez mais, a realização das tarefas será automatizada. Neste período de isolamento social, as empresas cuja produção (seja de bens ou serviços) é automatizada e depende pouco da interação humana, têm maiores condições de sobrevivência. O mesmo ocorre para qualquer cargo, função ou mesmo para os serviços de profissionais liberais. Tudo o que possa ser automatizado será automatizado. Tudo o que puder ser virtualizado, o mercado desejará, cada vez mais, que seja virtualizado. Portanto, se sua atividade pode ser automatizada, dispensando seu trabalho, é melhor repensar seu posicionamento profissional. Por outro lado, se sua atividade exige interação humana, sua sobrevivência profissional está ampliada. Ainda assim, quanto mais essa interação puder ser virtualizada, melhor será para continuar existindo.

Diante desse cenário, a ideia não é discutir se a profissão de corretores de imóveis vai continuar existindo ou não. A questão aqui é como essa atividade será desempenhada. Para atender os clientes que não gostam, nem desejam virtualização, é só realizar o trabalho da forma que já vem sendo feito. Contudo, para atender o cliente que deseja a virtualização (que será uma quantidade cada vez maior), ficam aqui algumas sugestões, as quais levam em consideração que corretores de imóveis têm os recursos do Google disponíveis de forma ilimitada, a partir da sua conta “@creci.org.br”, (mais informações em ajuda. creci.org.br). Utilize recursos de videoconferência para realizar reuniões e negociações. O Google disponibiliza o Google Hangout Meet. Com ele, além de gratuito, é possível colocar dezenas de pessoas numa mesma conversa, em vídeo, via internet, sem precisar instalar nada e podendo usar o computador, o celular ou o tablet. Com esse mesmo recurso, é possível realizar a demonstração do imóvel, por vídeo, em tempo real, para várias pessoas, conectadas ao mesmo tempo. Outra sugestão seria usar o Google Apresentações, com o qual é possível montar apresentações de slides, gratuitamente, sem precisar instalar nenhum programa e enviá-las aos seus clientes, com os dados dos imóveis. Para redigir as propostas, ou até mesmo os contratos, ao invés de ficar enviando arquivos via e-mail, use o Google Documentos. Com ele, gratuitamente, via internet e sem precisar instalar nada, é possível que várias pessoas editem, ao mesmo tempo, o mesmo documento. Dessa forma, imagine o potencial de colaboração obtida quando combinado este recurso com o Meet. Podemos ter várias pessoas numa videoconferência ao mesmo tempo que estejam editando o mesmo documento, sendo que cada uma pode estar num lugar qualquer do mundo, a partir de qualquer equipamento, desde que esteja conectada à internet. Pense em virtualização das suas interações humanas. Isso permite velocidade, agilidade, facilidade e diminui custos com transporte, tempo de deslocamento, problemas de conciliação de agenda, entre tantos outros benefícios. Pense nisso, prepare-se e faça bons negócios!

Andersom Bontorim. O autor é Corretor de Imóveis, inscrito no CNAI - Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários. Mestre e Doutorando em Administração, graduado em Marketing e Vendas, Jornalista, Conciliador e Mediador Judicial Certificado pelo CNJ, Professor de Pós-graduação em Gestão de Negócios Imobiliários, Autor do Livro “Educação Emocional Aplicada – método PRACT” (www.metodopract. com.br), Sócio fundador da PRACT Comportamento Pessoal e Profissional e Chefe do Setor de Educação Continuada no CRECIS

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